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Intervenções psicológicas: Terapias de 3ª geração e bem-estar

As terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração abrangem um conjunto de métodos psicoterapêuticos relativamente recentes, tais como a Terapia de Aceitação e Compromisso, a Terapia Comportamental Dialética, a Psicoterapia Analítica Funcional e a Terapia Baseada no Mindfulness (Hayes & Hofmann, 2017). Estas intervenções oferecem uma visão humanista da saúde mental, defendendo que o bem-estar não está ligado apenas à ausência de problemas psicológicos. Assim, o foco do processo terapêutico não se concentra exclusivamente na redução e eliminação de sintomas, mas também nos valores e objetivos da pessoa, na sua relação com os seus processos internos (emoções, pensamentos) e na forma como estes influenciam a sua interação com o mundo exterior.

Tais intervenções psicológicas possuem evidências empíricas de eficácia no bem-estar e na satisfação pessoal, bem como no tratamento de diversas psicopatologias, como perturbações da personalidade, do humor ou de ansiedade (Hofmann, Sawyer, Witt, & Oh, 2010). Através da relação terapêutica, o paciente é “convidado” a assumir uma postura de curiosidade, abertura e aceitação em relação à sua experiência interna. Tal postura permite fomentar o desenvolvimento de mecanismos funcionais, positivos e adaptativos que redefinem a forma como a pessoa se coloca perante si mesma e o mundo que a rodeia.

Entre as terapias mencionadas, o conceito de mindfulness é provavelmente o mais conhecido e tem sido integrado numa boa parte destas terapias (Pérez-Álvarez, 2012). O mindfulness diz respeito à capacidade de um indivíduo trazer de forma consciente a sua completa atenção para a experiência que está a ocorrer no momento presente (Kabat-Zinn, 2003). Esta atenção plena refere-se não só àquilo que acontece no exterior através dos sentidos, mas também ao direcionar da atenção para a própria experiência interna (a respiração, as sensações corporais) numa atitude de aceitação e não julgamento perante os mesmos. Por exemplo, a Terapia de Aceitação e Compromisso utiliza estratégias de mindfulness, tais como a aceitação e metodologias comportamentais, para aumentar a flexibilidade psicológica (Hayes, Strosahl, & Wilson, 1999). Por sua vez, a Terapia Comportamental Dialética integra também estratégias de mindfulness ao combinar a aceitação e a validação para alcançar a mudança, tendo sido desenvolvida para múltiplas perturbações da personalidade (Linehan, 1993). De modo semelhante, a Psicoterapia Analítica Funcional foca-se na análise comportamental e nas interações entre terapeuta e paciente, criando condições para o desenvolvimento de uma relação terapêutica intensa (Kohlenberg & Tsai, 1991).

Assim, os benefícios do mindfulness têm sido cada vez mais reconhecidos em diversas áreas da saúde física e mental, tais como o bem-estar e a qualidade do sono (Caldwell, Emery, Harrison, & Greeson, 2011; Howell, Digdon, Buro, & Sheptycki, 2008), sendo também útil para a intervenção psicológica em indivíduos com perturbações relacionadas com o stress, dor crónica (Kabat-Zinn, 1990), depressão (Segal, Williams, & Teasdale, 2002), entre outros. Outros estudos têm mostrado que a prática de mindfulness tem impacto ao nível das estruturas cerebrais relacionadas com o pensamento abstrato, introspeção, memória e atenção. Posto isto, dados os notórios benefícios desta prática para o bem-estar, estas férias recomendamos que experimente adicionar o mindfulness à sua vida em apenas 15 minutos por dia.


Referências bibliográficas:

Caldwell, K., Emery, L., Harrison, M., & Greeson, J. (2011). Changes in mindfulness, well-being, and sleep quality in college students through taijiquan courses: a cohort control study. Journal of Alternative and Complementary Medicine, 17(10), 931–8. doi:10.1089/acm.2010.0645

Hayes, S. C., & Hofmann, S. G. (2017). The third wave of cognitive behavioral therapy and the rise of process‐based care. World Psychiatry, 16(3), 245-246. doi:10.1002/wps.20442

Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (1999). Acceptance and commitment therapy: An experiential approach to behavior change. New York: The Guilford Press

Hofmann, S. G., Sawyer, A. T., Witt, A. A., & Oh, D. (2010). The effect of mindfulness-based therapy on anxiety and depression: A meta-analytic review. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 78, 169–183.

Howell, A. J., Digdon, N. L., Buro, K, & Sheptycki, A. R. (2008). Relations among mindfulness, well-being, and sleep. Personality and Individual Differences, 45(8). 773-777. doi:10.1016/j.paid.2008.08.005

Kabat-Zinn, J. (1990). Full catastrophe living: Using the wisdom of your body and mind to face stress, pain and illness. London, UK: Piatkus

Kabat-Zinn, J. (2003). Mindfulness-based interventions in context: Past, present, and future. Clinical Psychology: Science and Practice, 10(2), 144–156. doi:10.1093/clipsy/bpg016

Kohlenberg, R. J., & Tsai, M. (1991). Functional analytic psychotherapy: A guide for creating intense and curative therapeutic relationships. New York: Plenum

Linehan, M. M. (1993). Cognitive-behavioral treatment of borderline personality disorder. New York: The Guilford Press.

Pérez-Álvarez, M. (2012). Third-Generation Therapies: Achievements and challenges. International Journal of Clinical and Health Psychology, 12(2), 291-310.

Segal, Z., Williams, J., & Teasdale, J. (2002). Mindfulness-based cognitive therapy for depression: A new approach to preventing relapse. New York, NY: Guilford Publications.

 

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